Os Crimes da Rua A. Sommerset

Bbc

Os Crimes da Rua A. Sommerset
CAPÍTULO I
Deve ter sido no quinto ou sexto toque que estendi a mão para alcançar o telefone. Atendi ainda sonolenta, o entusiasmo na voz do outro lado soando exagerado. Só consegui reter as últimas palavras do Paul, meu marido… “venha logo” e cochilei novamente.
Era mais um dia abafado daquele março atípico. Havia dias que o calor úmido descumpria a promessa de trazer uma chuva torrencial e eu me sentia sonolenta do início ao fim do dia.
Despertei de vez com o ruído desagradável do celular vibrando sobre a mesinha de vidro. Me aprumei no sofá e peguei o telefone para abrir a mensagem de texto que chegava. “Rua Aristides Sommerset, 34. Vou pegar a chave com o corretor e te encontro lá. A casa é linda”.
Há quase um ano buscávamos uma casa impossível: no meio do triângulo formado pelas minhas duas lojas e o escritório do Paul; num local sem muito movimento, de preferência rua sem saída; ampla e a um preço acessível.
A Rua Aristides é tímida… Difícil de achar. Com dois chalés idênticos em cada esquina, quem não olha atentamente tem a impressão de que se trata da entrada de um condomínio do qual os chalés fazem parte. Eu, horrível que sou para qualquer coisa geográfica, após percorrer duas vezes do início ao fim a rua transversal, acabei estacionando o carro, e só a encontrei subindo a pé. O calor sufocante concedia breves tréguas ao permitir que lufadas de vento, anunciando a chuva próxima, me dessem ânimo para seguir até fim da rua (tô poética hoje… rss).
A casa do número 34 era horrorosa. A fachada era velha, coisa de uns cem anos, e as laterais pareciam ter sofrido a marca de cada geração posterior, tornando o conjunto sem nexo.
– Amor! – Gritou Paul de uma das janelas do segundo andar. – Já estou descendo!
Abraçou-me apertado, cobrindo-me de beijos.
– Cadê o seu carro?
– Desistiu de achar essa rua secreta… E o seu?
– Ficou na imobiliária. O corretor me deu uma carona, depois a gente volta juntos pra lá devolver a chave.
Por dentro, a casa tinha uma única idade, em linha com a fachada. Porém, era sólida, espaçosa, bem distribuída e iluminada. Percebi, assim como Paul, que pequenas reformas e uma dedicada decoração a transformariam num lar elegante e confortável. De quebra alguns móveis esparsos que se encontravam na casa estavam incluídos no negócio. O mau gosto da mesa de fórmica rosa da cozinha me embrulhou o estômago, mas a cristaleira da copa foi amor à primeira vista.
Lá fora uma trovoada inaugurava a chuva.
Quando terminamos de ver o último cômodo, a suíte do casal, eu já me via morando ali.
Sorri contente e abracei meu marido satisfeita. Beijamo-nos, um beijo afetivo-comemorativo. Mas Paul é um homem mezzo a mezzo: muito carinhoso, mas não o consegue ser sem ser safado junto. Se a mão não fica boba quando me dá um selinho, o beijo tem que ser de língua. Naquela euforia acabamos nos enroscando em beijo atrás de beijo, as oito mãos dele passeando pelo meu corpo, acariciando, provocando.
– Vamos estrear a casa… – Sussurrou entre uma mordida e outra na minha orelha.
– Não somos adolescentes…
– Estamos presos enquanto chove…
Deixei que levantasse minha blusa, levantasse a saia… Segurei seu cacete já duro, enquanto ele lentamente me conduzia para a cama. A sequência de eventos desses momentos nunca fica clara na minha memória, sou toda sensações nessas horas. Eu estava encharcada e Paul extraiu um grito meu ao meter tudo de uma vez. Começou um delicioso, vai-e-vem, aquilo poderia durar para sempre… Isto é, para sempre até que o vento inconveniente comece a bater violentamente uma janela no andar de baixo. Paul, irritado com as batidas e receio que a mesma se quebrasse, saiu de dentro de mim na hora que eu ia gozar.
– Nãããão… – Gemi.
– Já volto!
Enfiei os dedos na minha xotinha e continuei solita a me dar prazer enquanto Paul não voltava. Quando abri os olhos, vi-o entrando, seguido por dois mulatos mal encarados. Num segundo vi a arma apontada para ele e entrei num pânico paralisante. Os dois olharam com fome. Eu, nua sobre a cama, sem reação, não tinha ideia do que falar ou fazer. Será que atirariam em mim se eu me levantasse para por as roupas? Fiquei parada. O mais baixo dos dois, sem dizer nada, amarrava Paul na poltrona defronte à cama. O mais alto veio em minha direção, baixando o calção e exibindo um cacete duro que apontava acusadoramente para mim. Empurrou minha cabeça contra a cama, abriu minhas pernas começou a me chupar com tal volúpia que parecia sofrer de longa abstinência.
Meu corpo estava confuso… Aquilo era repugnante, aterrorizante, além de pura e simplesmente errado… Dois homens nus na minha frente, nenhum deles meu marido, prontos pra me devorar; por outro lado, a boca do Alto fazia efeito e minha xotinha continuava formigando. Ainda protestei:
– Por favor, parem! Deixem-me!
A maior surpresa de todas, porém foi ver que Paul também estava com o cacete duríssimo, olhando-me com a mesma fome que os dois mulatos, se não mais…
O Alto virou-me violentamente, pondo-me quatro e meteu sem aviso nem cerimônia. Começou a bombar rapidamente, grunhindo a cada estocada. Olhei novamente para Paul e vendo o tesão do seu olhar deixei-me dominar pelo macho que me comia. Queria pedir que parasse, mas palavra nenhuma saía da minha boca. Pudica, levei discretamente a mão em direção à minha xaninha e comecei a massagear meu clitóris com o dedo. Gozei forte, olhando fixamente para Paul. Era como se estivéssemos telepaticamente conectados; não dizíamos nada, mas eu sabia que ele estava doido de tesão e tinha certeza que ele sabia como eu me sentia.
Quando percebi que o Alto acelerava o ritmo das estocadas pensei em suplicar:
– Por favor, não goze dentro de mim!
Mas era tarde e o Alto grunhiu uma vez mais antes de jogar todo seu peso sobre mim. Minha xotinha pulsava faminta, agora eu queria mais, me sentia A puta, queria dar pra todo mundo. Venha, Baixo…
Não era necessário chamá-lo… Baixo veio pra cima de mim assim que o Alto deixou o caminho livre. Ajoelhou-se sobre minhas pernas (eu estava deitada de bruços ainda) e começou a esfregar seu cacete no meu rego. Suas intenções eram claras… Nunca gostei de sexo anal e só em ocasiões muito especiais dava esse “presente” ao Paul. Fazia mais por ele que por mim. Mas ali, nua no meio de três machos, com porra escorrendo da minha xotinha e um pinto diferente estranho se fazendo sentir duro e quente na minha bunda… Era muita perversão pra resistir. Meu delicado cuzinho ansiava por ser penetrado. Sentia a cabeça daquele pinto escuro forçando a entrada, lubrificando-a aos poucos, abrindo-me devagar. Meu cuzinho ardia gostoso de tesão e empinei a bunda para facilitar a penetração, levando novamente meu dedo ao clitóris. Senti seu corpo colar-se ao meu. Seu cacete pulsava lá dentro. Quando começou a mexer, foi gostoso demais. Descontrolada, gemi alto, gritei, gozei. Se fui pudica um dia não me lembro… rss. Lembrei-me de momentos antes, quando Paul me comia e queria que não parasse nunca. Também naquele momento queria meu cu sendo comido por horas… Baixo escutava meus pensamentos? Me comeu por muito tempo, não me perguntem quanto (detesto números!), mas senti-lo enfim inundar meu cuzinho de porra causou-me um arrepio e gozei de novo. Ao contrário de 99% das mulheres dos contos eróticos, não sou multiorgástica; gozar duas vezes era algo inédito.
Retirou-se de mim deixando uma sensação de vazio. A dupla de criminosos, não sei se aparentemente satisfeita com o que eu lhes proporcionara, ou vendo que a casa não tinha nada de grande valor, retirou-se calada.
Vendo Paul ainda amarrado à poltrona, corri para soltá-lo. Mas A puta que baixara em mim falou mais alto naquele instante… Ajoelhei-me na frente dele e tomei seu pau na minha boca. Seu pinto latejava tanto que quase chegava a tremer. Caprichando para fazer o melhor boquete da minha vida, fi-lo gozar na minha boca, outra coisa que eu normalmente não fazia. Aí retirei a mordaça e soltei-o.
Deitamo-nos em silêncio, silêncio que se prolongou até me apavorar. “O que fizeram conosco? Comigo. O que eu fiz? Perdi meu marido?!”. Mas Paul interrompeu minha onda pânico cobrindo-me de beijos. Beijava-me ardentemente, apaixonado como só ele sabia beijar. Era meu Amor, continuava meu Amor apesar da cena anterior.
Conversamos depois sobre esse episódio, sem chegar a uma conclusão. Tínhamos certeza de que nos amávamos profundamente, porém não entendíamos como era possível que o episódio da casa nova não tivesse afetado nosso amor. Duas decisões, contudo, tomamos: primeiro, compramos a casa e, segundo, não instalamos nenhum equipamento de segurança…
CAPÍTULO II
Passada uma semana da compra da casa, mudamos.
Se o estupro que sofri teve algum efeito, foi o de aumentar nossa libido. Transamos praticamente todo dia nas semanas seguintes. Nos momentos mais picantes, um de nós (normalmente Paul) aludia ao episódio, e a lembrança daquela dupla de assaltantes funcionava como uma pílula dilatadora do tesão.
Contudo, quanto mais eu repassava o incidente na memória, mais ele me parecia estranho e mais eu me sentia incomodada com certos detalhes. Por exemplo: por que aquela dupla parecia tão tranquila? Era um assalto afinal. Eu já tinha sido assaltada e lembrava perfeitamente que o marginal estava tão nervoso quanto eu. Muito profissionais, então, concluí. Mas se eram tão profissionais a ponto de não ficarem nervosos nem por um instante, por que se desviariam de seu objetivo para me estuprar? Por que escolher aquela casa, que nada tinha de muito valor para roubar? Contentaram-se com o pouco que tínhamos em nossas carteiras (pois que esse dinheiro, sim, levaram)? Paul parecia não dar muita importância.
– São criminosos… Vai saber como essa gente pensa. – dizia.
A verdade sobre esse pequeno mistério começou a emergir algumas semanas mais tarde, durante uma festa para a inauguração da casa recém-reformada.
Paul mostrava a biblioteca para um casal de amigos. Eu ia me juntar a eles quando o ouvi falando sobre as virtudes de manter usuários separados em computadores pessoais.
– No Winux, se o computador for contaminado por um vírus, apenas o usuário ativo da sessão é afetado. Além disso, você pode designar arquivos a serem salvos para mais de um usuário e, ao salvar estes arquivos para um segundo usuário, o sistema purga qualquer malware presente. Meu usuário foi contaminado uma vez, mas não houve nenhuma consequência para os arquivos da minha esposa.
“Ora essa!” Pensei. “Desde quando Paul tem um usuário separado no computador?” No domingo, levantei-me mais cedo e resolvi tirar aquela história a limpo. Liguei o computador no modo multiplex como ele me ensinara uma vez e, de fato, o sistema continha dois usuários. Curiosa, selecionei “user2” e iniciei o sistema.
Sem saber bem por onde começar, abri o e-mail e espantei-me ao descobrir uma segunda conta, desconhecida, ali. Desconfiada, comecei vasculhar suas mensagens. Minha primeira reação foi a de verificar se ele não tinha outra. Acho que teria ficado menos chocada se ele tivesse outra (disso não encontrei indícios). O que me deixou pasma foi uma cadeia de e-mails nos quais Paul confidenciava a um amigo virtual sua fantasia de me ver sendo possuída por outro homem. O tal amigo contava suas experiências pessoais e dava dicas e sugestões ao meu marido. Inacreditável! Em outro e-mail, Paul negociava a contratação de dois garotos de programa. A última mensagem era praticamente o roteiro do meu estupro simulado!
Eu estava estupefata. Sim, fora a transa mais louca da minha vida. Mas e seu eu não tivesse entrado no clima? Fiquei a mercê de dois desconhecidos, tive medo, pavor, de que eles fossem nos machucar ou mesmo nos matar. Eu fora enganada. Deliciosamente enganada, é certo, mas ainda assim enganada. Até aí eu podia entender e perdoar… Só não atinava com a decisão do meu marido de não me contar nada depois. Aquilo pedia uma doce vingança!
CAPÍTULO III
– Essa piranha não tem dinheiro em casa! – Gritou o GatoPardo. – Vai pagar por isso!
Paul o encarava aterrorizado. A coisa toda era quase um déjà vu do nosso primeiro dia na casa. Sob a mira de um revólver, ele foi amordaçado e amarrado à cadeira defronte à cama.
Thor veio até mim, deu-me um tapa para que eu parasse de gritar (se no primeiro estupro eu encarnara A puta, agora eu era A atriz) e, com uma faca, cortou minha roupa. Encostou a lâmina fria da faca no meu pescoço.
– Abra as pernas!
Caiu de boca no meu grelinho. Fechei os olhos e deixei-me levar. Tinha uma língua realmente divina, e em questões de segundos fez minha xaninha ferver.
Nisso GatoPardo veio em minha direção. Postou-se bem na minha frente, baixou a calça e empurrou minha cabeça em direção ao seu… nem sem como descrever aquilo… havia visto suas fotos no site, claro, mas seu pau parecia tão descomunal que deduzi terem sido editadas no photoshop. Não tinham. Se não chegava a ter o comprimento do meu antebraço, era de longe mais grosso.
– Chupa, piranha!
Segurei-o com uma das mãos, entre surpresa e maravilhada com aquele prodígio da natureza; entre excitada e temerosa ao notar que meu polegar não alcançava o dedo médio. Eu tinha que matar minha curiosidade de ver de perto aquele portento.
Enquanto a língua do Thor me punha maluca, toquei, mexi, examinei, lambi cada pedacinho daquele cacetão. Adorei sentir como era pesado. Cuidava para que Paul visse a ação dos melhores ângulos.
Thor levantou-se e me puxou, preparando-se para me penetrar. Olhei para Paul e vi que acompanhava tudo com aquele mesmo olhar faminto de antes. Já não tinha medo e eu relaxei de vez. Thor meteu seu cacete rosado em mim devagar, até o fundo. Sentia-o um talvez pouquinho maior que Paul, mas assim que começou a se mexer pareceu do tamanho ideal. A consciência de que aqueles três machos me desejam era alucinante. Especialmente eu queria dar ao meu marido uma visão total do “espetáculo”. Virei-me um pouco, deitando-me de lado, de frente para Paul, a poucos centímetros dele. Ele tinha uma visão perfeita do meu corpo, Thor estocando minha xaninha cada vez mais rápido. Curioso como, mesmo sem tocar Paul, era com ele que eu me sentia conectada. Eu podia sentir o quanto aquela cena o levava à loucura. Nisso GatoPardo cochichou algo para Thor. Este sorriu aprovadoramente e levantou-se (“aahhh não”… pensei frustrada). Foi até Paul, soltou-o e ordenou:
– Come essa piranha você também! – E virando-se para mim: – Você, de quatro.
Paul veio por trás e começou a me comer num ritmo frenético. Parecia um condenado realizando o último desejo. Mas Thor e GatoPardo só queriam que ele tivesse um gostinho de mim, nada mais… Com o revólver apontado para ele, GatoPardo anunciou:
– Minha vez! Amarra ele, parceiro.
Pondo-me novamente de quatro, GatoPardo encostou a cabeçorra na entrada da minha bucetinha e começou a empurrar. Devagar, mas firme.
– Ai… – Gemi. “Muito grosso, não vai entrar”, pensei.
Empurrava um pouco e voltava um tiquinho. Descobri terminações nervosas na minha xotinha que eu nem imaginava que existiam, todas me feitas para me levar ao êxtase. Cada centímetro que entrava me desvirginava, cada centímetro era como se fosse meu primeiro pinto. Senti o GatoPardo colando seu corpo no meu (seria possível que tudo aquilo estava dentro de mim?) e gozei pela primeira vez. Foi um gozo diferente, da minha buceta para meu corpo. Até então, sempre tivera que estimular meu clitóris com os dedos para gozar, mas aquele orgasmo era único. Senti minha buceta inundada de prazer, me senti refém do meu próprio tesão como nunca antes. Eu me sentia uma fêmea completa, não apenas capaz de receber um pinto gigante como aquele, mas também de desfrutá-lo. Comecei a gritar “Me arromba! Me detona!” enquanto o GatoPardo, cadenciando seus movimentos, entrava e saía como se fosse uma máquina impossível de ser detida. Eu simplesmente gozava cada vez que ele me penetrava novamente. Eu não era multiorgástica!? Como era possível ter tanto prazer? Ele não queria, não devia gozar dentro de mim, mas eu não era mais eu, nem mesmo atriz, era só uma fêmea no cio, sedenta por devorar aquele macho. Tomei a iniciativa, virei-me e puxei-o sobre mim. Naquela posição de papai-mamãe o GatoPardo começou a bombar mais rápido. Eu rebolava sob seu corpo em perfeita sintonia. Quando ele tentou sair de dentro mim para gozar, segurei-o com as pernas, forçando-o a me encher de porra. Explodi no maior um gozo da minha vida. Por um momento tudo escureceu, depois comecei a rir um riso histérico… simplesmente não estava preparada para sensações tão intensas. Apaguei mais uns segundos, despertada pela voz do Thor:
– Come essa vadia, agora!
Meu marido lembrava um cão feroz recém-libertado da coleira. Totalmente fora de si, avançou para cima de mim. Não o senti me penetrar, minha buceta estava meio anestesiada ou arrombada. Ele bombava com força, rapidamente. Beijou-me, sua língua querendo devassar minha boca. Sussurrei no ouvido dele:
– Não consigo te sentir.
Aquilo foi a gota d’água. Gemeu alta e longamente e gozou. Estávamos exaustos… Paul mais emocionalmente, eu, fisicamente.
Sorri satisfeita antes de adormecer. Minha vingança fora perfeita.
CAPÍTULO IV
Abri o portão esbaforida e dei de cara com Paul na varanda, de cara amarrada.
– Oi, Querido! Aconteceu alguma coisa?
Estava nervoso. Percebi que mantinha o controle com muito esforço, não sabia bem por onde começar.
– Tenho um amigo… – disse afinal – … através do qual conheci dois rapazes…
Pausa.
– … conhecidos como Thor e GatoPardo…
Gelei.
Seu olhar duro me machucava. Meus olhos ficaram marejados imediatamente.
– Querido…
– Thor e GatoPardo! – Cortou com ira contida.
Aquela raiva fria era diferente. Paul era puro bom humor quase todo tempo. As poucas situações em que perdia a calma eram explosões no calor do momento. Lágrimas rolaram do meu rosto. Meu mundo não existia sem ele. Não tinha coragem de encará-lo.
– Acho que precisamos conversar. – Disse sério, após uma eternidade.
Meneei a cabeça afirmativamente, sem saber se ele queria discutir os termos do divórcio ou tentar entender melhor o que ocorrera. Sentamos na escada da varanda, ele me olhou inquisitivamente.
– Descobri sua armação. – Eu disse por fim. – E quis me vingar.
E contei como acessara o computador, o que aprendera lendo seus e-mails e como planejei minha vingança. À medida que falava, acompanhava as expressões do seu rosto, tentando ler sua reação. Concluí “atacando”:
– O que me levou a isso foi principalmente o fato de você não ter me contado nada. Por que me manteve no escuro depois? Nós havíamos conversado sobre aquele dia, você sabia que eu tinha gostado, então por que não me falou nada? Deixou que eu fosse ao médico fazer não sei quantos exames. Nunca tivemos segredos entre nós e, de repente, descubro, que você tem uma grande fantasia, que te consumiu sabe-se lá por quanto tempo sem compartilhá-la comigo. Mas, meu Amor, – Disse em tom de súplica. – veja que me vinguei realizando sua fantasia. Nunca fiz e nunca farei, nunca terei sequer coragem de fazer qualquer coisa que te faça mal.
Ele balançou.
– Querida…
“Me chamou de querida!” notei, enchendo-me de esperança.
– Uma vez, já faz tempo, vimos um filme erótico ambientado na Grécia. Não sei se você se lembra…
Eu lembrava.
– …Transamos loucamente naquela noite… – Continuou ele. – Quando te perguntei se queria estar no lugar da dona da pousada você respondeu que sim sem pestanejar.
Eu me lembrava perfeitamente daquela noite. Era um filme em que uma bonita loira, mantinha um tórrido triângulo com o amante e o marido, dois homens lindos de morrer. Óóóóbvio que eu tinha ficado empolgada!
– Mas quando te perguntei se gostaria de tentar um mènage você descartou terminantemente a ideia.
– Claro! – Atalhei. – Uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa. Respondi hipoteticamente! Por isso mesmo respondi sem pestanejar: porque sabia que não iríamos fazer nada daquilo! Não ia ficar com nenhum outro homem.
– Certo e errado. – Retrucou. – Conscientemente você podia não ter a intenção, mas lá no fundo, o desejo existia. Mesmo meses depois, de vez em quando você dizia coisas do tipo “na próxima encarnação quero ser dona de pensão” e outros sinais que você dava sem notar. Então, ponha-se no meu lugar um instante: eu já tinha a fantasia de vê-la com outro. Não te contava porque achava que você não ia entender. Eu mesmo não me entendo e não acho que seja muito normal.
Olhou-me como se precisasse de um olhar compreensivo para prosseguir.
– Enfim, descubro você tem a mesma fantasia, mas nem considera colocá-la em prática porque considera, deduzo, uma traição. Daí nasceu a ideia… Se numa situação em que você não tem controle do que acontece, um estupro, não se sentiria culpada, seria apenas a vítima de um marginal.
Continuou com um olhar de reprovação:
– E é claro que eu tinha combinado um código de segurança com os atores. Se percebesse que você não estava gostando, teria interrompido na hora. Esse foi um dos motivos para não ter contado nada depois. O outro é que simplesmente estávamos tão bem um com o outro que tive receio de estragar essa harmonia.
Eu estava comovida de verdade. Paul não só captara um desejo oculto meu como se dera ao trabalho de bolar um estratagema complexo para me satisfazer.
– Me perdoa! – Dissemos em uníssono.
Sorrimos e nos beijamos afetuosamente.
CAPÍTULO V
“29 anos”, pensei meio rabugenta, “estou ficando velha!” Paul acendeu a velinha sobre o enorme cupcake de groselha com gengibre.
– Parabéns pra você…
Na sexta-feira, iríamos jantar fora para comemorar, mas, para o meu aniversário não passar em branco no dia, eu havia comprado meu bolo favorito na melhor confeitaria do mundo. Paul cantara os parabéns mais sensuais do mundo, ao meu ouvido, segurando meus quadris e encaixando seu cacete na minha bunda. Estávamos no clima para uma celebração íntima.
– Faça um pedido! – Disse Paul.
Não deu tempo de pedir nada. Um ruído seco na porta dos fundos rompeu o silêncio. Em seguida, três homens mascarados entraram na sala.
– Pro chão! Já! – Gritou um.
Lancei um olhar malicioso para Paul. “Hmmm… agora são três, seu safado!” Voltei-me obsequiso para o ladrão:
– Claro, senhor Bandido! – Disse com voz melosa, tipo Marilyn Monroe, sabem? “Será que o GatoPardo está entre eles?” me animei e senti minha bucetinha umedecer.
Paul, baixou as calças e consultou:
– Fico no sofá?
– Não quero que rasguem minha roupa dessa vez, tá? Vou tirar já pra não atrapalhar. – Disse me livrando afobada do vestido e deitando sobre o tapete de peles.
Os bandidos ficaram parados por um instante e Paul, vendo que hesitavam em partir para a ação (“não são tão bons quanto os últimos”, pensei), tomou a iniciativa.
– Dessa vez eu vou primeiro!
Deitou-se ao meu lado e passamos a nos beijar e acariciar. Virei-me por cima dele, arrebitando e exibindo minha bunda para os mascarados da maneira mais indecente que podia. Sem tê-lo dentro de mim ainda, eu cavalgava esfregando sofregamente meu grelinho no seu cacete. Paul parou de corresponder às minhas carícias e protestei:
– Por que parooou? Parou por quêêê? Por…
– Querida… Acho que eles foram embora…
Olhei para trás e, de fato, os três tinham sumido.
– Ué, será que desistiram? Bem que eu achei esse trio meio fraquinho… Foi da mesma agência que você contratou?
– Como assim??? Não foi você que contratou???
THE END

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